Meu nome é Fabiana Couto, eu tenho trinta e um anos e fui diagnosticada com diabetes tipo I aos treze anos. Hoje já são mais de dezoito anos convivendo com essa condição vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana.
Com o diagnóstico do diabetes eu acho que fiquei me sentindo muito sozinha e não compreendida. Por mais que minha família tenha sido participativa e me dado seu suporte incondicional e meus amigos o seu melhor para me ajudar, é difícil para quem não têm essa condição entender o que é a vida com diabetes. Acho que por isso sempre achei que a diabetes era “coisa minha” e eu fui guardando para mim meus medos e decepções.
Só hoje eu percebo o quanto fez falta freqüentar mais a ADJ, participar de palestras, grupos e acampamentos.
Fabiana com time DHF, e representantes da American Diabetes Asociation e outros representantes e educadores em Diabetes no Dia Mundial do Diabetes 2010
Em 2006, aos vinte e seis anos, minha hemoglobina estava muito alta e eu decidi que queria me cuidar mais e construir um futuro melhor para mim. Não sabia por onde começar, então, fui buscar apoio psicológico e nutricional e, além disso, comecei a participar de grupos e comunidades de pessoas diabéticas, entre elas uma comunidade na internet em inglês chamada “Tudiabetes” e outra em espanhol chamada “Estudiabetes”. Lá eu adquiri muitas informações sobre novas tecnologias e tratamentos, mas principalmente eu me senti parte de algo maior e recebi apoio e afeto de outras pessoas com diabetes.
A partir de então eu comecei me cuidar mais e fui obtendo resultados cada vez melhores. Eu fui entendendo que era capaz de controlar bem a minha diabetes e viver uma vida mais feliz, e percebi que não havia feito isso sozinha. Cada pessoa que passou pela minha vida havia contribuído com um pedacinho.
Em Outubro de 2010 decidi realizar um sonho e viajar para conhecer outros lugares do mundo. Pedi demissão do meu emprego no Brasil e mudei-me para a cidade de Berkeley nos Estados Unidos, Califórnia, para começar um trabalho voluntário para a ONG que havia me ajudado, a Diabetes Hands Foundation, que é a realizadora do site www.tudiabetes.org.
Dentro de mim eu queria finalmente fazer algo significativo e dar de volta à comunidade o apoio e solidariedade que recebi. Essa foi uma experiência incrível, durante nove meses que fiz parte desse grupo, eu conheci a história de centenas de pessoas com diabetes ao redor do globo, participei de suas vidas e elas da minha, e ajudei a promover campanhas para arrecadação de fundos para compra de insulina para crianças carentes que por falta da medicação não tinham muita chance de sobrevivência.
Fabiana com Manny Hernandez, fundador da Diabetes Hands Foundation, no Dia Mundial do Diabetes 2011
Em Novembro de 2010 tive a oportunidade de ser a porta voz desta ONG no Dia Mundial do Diabetes na cidade de San Francisco. Eu estava no país há pouco mais de um mês e meu inglês estava bastante enferrujado, mas mesmo um pouco insegura eu aceitei esse convite e fiz um discurso público para várias pessoas com diabetes. Foi incrível e nesse dia percebi que a linguagem da união e do entendimento transcende barreiras de comunicação.
Com o passar do tempo fui conhecendo outras comunidades e grupos na área de diabetes nos Estados Unidos e em Junho de 2011 eu me inscrevi para o primeiro acampamento de diabetes da minha vida. Esse foi um acampamento de mulheres atletas com diabetes tipo I e tipo II realizado em Boulder no Colorado. O nome desse grupo é Team Wild, Women Inspiring Life with Diabetes, ou seja, Mulheres Inspirando a Vida com Diabetes. Nesse acampamento eu conheci muitas mulheres com décadas de convivência com o diabetes que estão super saudáveis, e não apesar, mas por causa do diabetes se tornaram atletas. Isso me motivou a dar mais esse passo importante, e a partir de então eu comecei a me exercitar regularmente e fui aprendendo a gerenciar meu medo de hipoglicemias durante o exercício físico. Com isso, consegui um equilíbrio adequado e incorporei a atividade física como parte da minha vida. Hoje meu próximo passo é o de treinar para participar da Maratona de San Francisco em 2012.
Fabiana com Mari Ruddy, fundadora do Team Wild
E finalmente, mais uma experiência transformacional que eu vivi lá fora foi uma Conferência de Mulheres com Diabetes chamada “Celebration of Strength”, ou seja, “Celebração da força”, realizada em San Diego na Califórnia. Nessa conferência, além de ter aprendido muito sobre o gerenciamento do diabetes, questões emocionais relacionadas ao tratamento, a sexualidade da mulher com diabetes, e ter tomado conhecimento de um programa inovador de redução de stress para pessoas com diabetes baseado em meditação, eu me diverti e troquei muito conhecimento com as outras mulheres que estavam lá.
O ponto máximo desse evento para mim foi a noite de gala. Uma noite de celebração da força dessas mulheres com diabetes. Quando meu nome foi anunciado para receber a homenagem e a organizadora do evento disse: Fabiana Couto, diabética tipo I há 18 anos, e todas as mulheres naquela sala bateram palmas para mim e dividiram sua admiração comigo, eu me senti orgulhosa por sempre ter acreditado que eu podia fazer melhor e viver uma vida saudável com diabetes, por nunca ter perdido a fé em mim mesma. Eu nunca havia pensado que dezoito anos de diabetes poderia ser motivo de celebração… Mas percebi que é motivo sim e foi muito importante parar por um momento para olhar para traz e reconhecer o quanto eu já havia me auto-superado e celebrar a força que existe dentro de mim.
Eu estou ainda morando na Califórnia, ano que vem concluo meus estudos, não sei o que vem em seguida, não sei quais os planos que a vida tem para mim, mas estou animada, otimista, sei que hoje o meu foco, minha atenção é minha saúde e meu bem estar, porque essa é a forma que eu encontrei para viver bem e ir em busca dos meus sonhos. Como diz uma educadora em diabetes chamada Ginger Vieira: “Eu vivo a minha vida com diabetes sem deixar que a diabetes viva a minha vida”
31 de dezembro de 2011
admin 













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